sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Irmãos de fé

Estava aproveitando o meu pé torcido para ver sessão da tarde. Sim, é tosco, eu sei.

Venci meu preconceito inicial às produções nacionais de cinema e estou vento o filme do Padre Marcelo Irmãos de Fé, que alterna o drama de um menor criminoso e a história do apóstolo Paulo.

Nossa, o cara (o apóstolo) apanha na primeira parte do filme hein?!

O filme tem muitas passagens estranhas (como mulheres na sinagoga por exemplo), mas vale a pena para ouvir o Tito de Rodrigo Hilbert dizendo que era contrário à circuncisão dos gentios - ok, na verdade a fala era que grego algum se submeteria àquilo - o que é um bom exemplo do uso de bom-senso em questões de fé.

Não sei porquê, no começo do filme eu tiquei com uma baita impressão que Paulo era um agente infiltrado! Se fosse um livro qualquer faria uma fanfic desenvolvendo essa hipótese, seria interessante ver até que ponto isso poderia ser desenvolvido.

Achei tão bonitinho o anjo que liberta Pedro ser uma criança... Gosto de imaginar o céu assim, com crianças.



E acabaram as boas surpresas que o filme me trouxe com a parca atenção que eu dei a ele enquanto mexia em configurações dos blogs e navegandop na web. Não vou ficar debatendo as coisas estranhas do filme, tem muita gente por aí para fazer isso, qualquer googlada que se dê dará conta de encontrar falhas.

Mas o engraçado é que o garoto, sem poder fazer merd* ali preso o que ele faz? Picha seu dormitório! Tá certo que foi com um trecho bíblico, mas ainda assim uma pichação! ;)

Fiquei me perguntando, na cena final, se mostrariam a pichação do Paulo-traficante-adolescente, mas não. Optaram por refazer a pergunta: "O que é gentio"? Provavelmente não seria de bom-tom dizer que a instalações não sofreria alterações até 2020.

domingo, 28 de outubro de 2007

Frutos da Canção

Voltei da Canção Nova com um livrinho que vai me ajudar muito aqui no Bilbiogando. Eu vinha me perguntando como faria para lembrar algumas considerações eu eu já tinha feito a partir da Bíblia, e lá achei um método. No livrinho do Padre Jonas Abib entitulado "A Bíblia no meu dia-a-dia".

Passei alguns dias desde o começo do mês exercitando. Li atentamente a 1ª carta de João, identificando promessas, ordens e princípios conforme proposto no livro. Um capítulo por dia nas viagens para o trabalho, que por estranho que possa parecer, é quando tenho mais tempo disponível para ficar "comigo mesma". Quase não sobrava tempo para tentar identificar a mensagem pessoal e pensar em como botar em prática, e olha que é uma viagem de quase duas horas.

Comecei a sentir falta da soneca que costumo tirar nesses casos, mas me mantive firme o máximo que pude. Lá pro meio do mês eu resolvi mudar um pouco a estratégia: ler tudo, marcando o que me chamasse a atenção. No dia 16 então, identifiquei algumas passagens, fazendo anotações.

No dia seguinte, pensei comigo mesmo que cada um deveria ter seus macetes para seguir tal método e percebi que era mais fácil, rápido e interessante para mim fazer meio invertido: Comecei pelo que me chamava atenção e fiz um monte de anotações nas margens da Bíblia; depois reli fazendo marcações coloridas para os trechos que remetiam a idéias de promessa, ordem e princípios eternos, o que me fez ter mais idéias que também foram anotadas na própria Bíblia. Acabou saindo a Mensagem e a Prática.

Mas esse post não é para descrever a minha adaptação ao método e sim para servir de testemunho do que aconteceu com a aplicação desse método. Foi algo que me assustou bastante quando acabei de estudar o capítulo.

Pela leitura, percebi que fui convidada neste dia 14 de outuvro a comer do mesmo alimento que o Filho de Deus comeu enquanto a samaritana (do 4º capítulo do evangelho de João) testemunhava. Fiquei temerosa com as referências ao horário do almoço no capítulo que eu estava estudando, mas veio um sinal (tal como para o funcionário real do Jo 4) para que eu visse que não se tratava tanto da MINHA capacidade para reconhece-lo:

Um dos lápis que eu usara para marcar os trechos bíblicos caíra no chão do ônibus. Pensei "Deixa pra lá, é só um lápis e nem é um dos que eu estou usando". Mas o senhor que estava sentado do meu lado imediatamente começou a procura-lo, então eu abaixei resgatei o lápis fujão.

Cabe aqui uma explicação: Eu estava usando aqueles lápis de cor com duas cores (uma em cada extremidade) para fazer o diário espiritual, e as cores que eu escolhi usar foram lilás/roxo para as promessas, verde para as ordens e vermelho para os princípios eternos (ou como dizia o livrinho, para as coisas que são de determinado jeito, gostemos ou não).

Quando prestei atenção nas cores do lápis que tinha caído e assim servido de instrumento me surpreendi: era um que combinava verde-alface com marrom. Oras, marrom é uma espécie de vermelho-forte, então associei imediatamente o episódio a uma mensagem do tipo "Calma, a tarefa é leve[verde claro] para algo grande[marrom]".

Passei a manhã numa expectativa temerosa. A moça da ginástica laboral chegou, fizemos os exercícios, quinze minutos antes do meio dia, que não é o horário usual dela. Fiz, naquele momento, algum movimento mais brusco, que começou a dar sinais de problemas quando desci para pagar algumas contas. Voltei a bíblia (já não lembro se foi no mesmo dia ou nos dias seguintes), mas agora só saíam textos dizendo para eu aceitar o desígnio.

Passei os dias seguintes sem fazer o diário: com medo, passei a ir trabalhar só com identidade, crachá e algum dinheiro. E o terço, que fiquei rezando nos trajetos de ida e volta. Os bancos dos ônibus se mostraram bem desconfortáveis e inadequados para o meu tamanho, o que acabava sendo também uma motivação para o terço, buscava no ritmo da oração distração e alívio. O meio de transporte que deveria ser mais confortável – o ônibus do tipo tarifa conhecido pelo apelido de frescão – acabava sendo ruim também por, apesar de ser um dos mais confortáveis era tão frio que meio que anulava o conforto proporcionado às costas.

Mas então, um dia, quando eu voltava de trem para casa num esses dias e fazia o meu terço pude observar um senhor olhando para mim com um soriso curioso e simpático: será que era isso que o lápis queria dizer?

Será que foi, simplesmente, uma forma de me fazer dar esse testemunho silencioso do terço? Bem, não sei. Eu gostei de fazer isso, foi legal. Do outro lado eu descobrirei o que tudo quer dizer. ;)

sábado, 20 de outubro de 2007

Pai nosso às avessas

Tenho percebido nos últimos tempos como as coisas estão ficando invertidas. Vê bem se essa versão do Pai Nosso não parece mais com o que estamos vivendo do que a tradicional:

Pai Nosso que estais nos céus,
santificado seja o nosso nome,
venha a nós o nosso reino,
seja feita a nossa vontade
assim na terra como nos céus.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem vos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação
mas livrai-vos do mal.

E não adianta olhar para o lado e dizer "eu não faço isso" por que duvido que haja muita gente que nunca tenha trocado nada em pelo menos um dos versos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Aviso

Sei que estou devendo um ou mais posts sobre o meu final de semana na comunidade Canção Nova, mas o fato é que, por algum motivo desconhecido o meu PC resolveu dar chilique e tivemos que formata-lo. Com isso adeuzinho às fotos que eu tirei lá.

Vou ver se restou algo na câmera, mas como fomos para Nova Friburgo no final de semana posterior à ida a Cachoeira paulista, não sei se conseguirei muito material para ilustrar posts.

E acabou o post. Foi só para avisar mesmo. :(

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Piadinha sobre as origens do TLC

Produzida no MSN com um colega do TLC, enquanto discutíamos as origens do TLC:


Deus criou os céus e a terra.
Aí ele virou e disse para JC:
- E as reuniões do TLC serão fechadas para aqueles que nunca "subiram".
Jesus virou para o Pai e perguntou que raios era TLC. Então Deus respondeu:
- Meu filho, TUDO ESTÁ PREVISTO!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Dissecando a alma

Acontecimentos da missa desse fim de semana (onde eu vi uma pessoa do TLC ir comungar chegando no meio da missa e eu não tive cara de impedir) e de ontem me chammaram a atenção para o seguinte:

Eu já aprendi bastante sobre como julgar as coisas. Com minha mãe, com o EAC, com o TLC e principalmente com o meu namorado. Mas ainda não é o suficiente, ainda tem coisas que eu não vejo, coisas que eu vejo e não consigo me posicionar a respeito e (como sempre pode ficar um pouco pior) coisas que eu não vejo o potencial de caca envolvido...

É fato que as pessoas não são criadas para pensar. Não é culpa necessariamente dos pais dela, pois eles repassam o que eles também receberam desse sistema corrompido.

Mas acontece que eu NÃO QUERO SER ASSIM. Mas para isso é preciso se conhecer, e esse trabalho dura, na verdade, toda uma vida. Me parece que tem um nível básico de autoconhecimento que temos que alcançar para começar, como nos joguinhos como o Prince of Persia. :-)

Pode parecer estranho, mas outra coisa que me ajudou a começar a "me enxergar" foi... Harry Potter! Não que ele tenha alguma mensagem magnífica, mas pela possibilidade que me abriu no Magic Spell, Magic Past e Accio Cérebro de começar a escrever (ainda que fossem fanfics) e começar a contar aquelas histórias bobas para mim mesma (por que nem tinha tanta gente que lia assim, era mais os membros da equipe), que de uma certa forma começaram a me apresentar para mim mesma.

É um pouco frustrante, olhar ao redor e ver que alguns já se conhecem bem e eu não. É como que eu tivesse gasto a minha infância/adolescência com alguma coisa inútil ao invés de tentar me conhecer. Bem, antes tarde do que mais tarde não é mesmo? Comecei este ano então, que seja.


Canção Nova
Upload feito originalmente por Aritmante


E por isso que eu tive a idéia do Bibliogando. Para me forçar a me posicionar (como eu já estou fazendo um pouco no Aritmante), com o suporte das escrituras por trás. É nesse objetivo também que vou para a Canção Nova hoje: a expectativa é aprender por lá mais alguma coisa para a minha auto-descoberta.

Estou me sentindo muito como o trecho da música do Dunga que eu sempre estranhei: Fazendo o caminho ao caminhar. Ainda bem que o meu capitão-do-mato é parrúdo e curte mudar água e vinho para não deixar as pessoas esquecerem que a alegria também é importante! ;)

domingo, 23 de setembro de 2007

Novo (e triste) ditado popular

Existe uma piada de humor-negro que, depois da relutância da polícia em atender uma queixa de furto de celular, creio que já esteja virando um novo ditado popular aqui no Rio:

Carioca nem liga mais para bala perdida: Entra por um ouvido e sai por outro.
Assassinatos à tiros parecem ter virado moda nos arredores da paróquia que eu frequento, começando pelo episódio onde o sacerdote foi baleado. Fui testemunha de situações de embrulhar o estômago em duas ocasiões este ano, que me abalaram - sem trocadilhos - bastante, já que quando criança tive uma experiência como vítima.

Passei por um corpo, da primeira vez, indo para uma festa na paróquia; pessoas aglomeradas em volta do morto comentando coisas como "foi assaltar e morreu". Cheguei no evento bem mal, contornei a igreja fechada para reformas - o evento era em parte para arrecadar fundos - e fiquei por alguns momentos fazendo uma oração rápida para aquela pessoa, que depois eu descobri que era uma testemunha:

O médico, que teria testemunhado o crime [assassinato de um ex-presidiário a cerca de 200 metros de distância], mesmo baleado na perna, ainda tentou escapar, mas os bandidos se aproximaram e atiraram na sua cabeça.
(trecho extraído da Página A)
Semanas atrás, indo para a confissão coletiva em preparação para o TLC (que subiu na semana passada, tenho até algumas coisas para contar a respeito em breve), foi outro homem. Desta vez, somente o carro funerário e duas pessoas por perto, praticamente no mesmo local. Subi a rua chorando, liguei para casa e minha mãe foi me buscar antes mesmo das confissões começarem, não aguentaria passar sozinha novamente pelo homem moreno abandonado desde as duas da tarde no cimento da calçada que depois descobri ser noivo de uma amiga da minha irmã.


Eu até entendo que as pessoas tentem imaginar que uma pessoa morta por tiros possa ser uma pessoa que talvez merecesse, afinal ninguém gosta de acreditar que uma vida sem maiores crimes tenha sido ceifada assim, do nada. Quando a realidade é muito para nós, surgem essas estratégias de auto-defesa, que de alguma forma nos mantêm andando no meio do caos.

Mas é estranho pensar que um hospital é alvejado e o fato não é registrado. E em como são tantos os mortos por causas estúpidas que não se consegue identificar um em particular na mídia, pois depois de tantas repetições nós ficamos anestesiados. Foi um custo achar referências para as mortes do padre e do médico, por exemplo.

Parece que nada disso choca o suficiente para ser notícia.